O tempo é uma dimensão dificilmente concebida. A maioria das pessoas estabelece planos como forma de estruturar o tempo e organizar a vida. Já a realização desses planos constitui um desafio secundário. É muito fácil nos deixar levar pelas atribulações do dia a dia e não conseguirmos alcançar a conclusão de nossos objetivos. Às vezes é necessário que percamos muitas coisas, coisas que consideramos essenciais, para que sejamos despertados dessa embriaguez cotidiana e tenhamos condições para partir rumo às nossas realizações. Isso, porque nunca é fácil renunciar. E sendo cada escolha também uma renúncia, muitas vezes nos vemos estacionados, sem ímpeto de avançar, diante dos nossos propósitos. Existem, pois, simploriamente, duas formas de empreender realizações e conquistas. Uma delas é com ousadia e coragem, quando deixamos coisas pra trás, em alguns casos com sofrimento, para rumarmos para aquilo em que acreditamos. A outra é através das perdas, que nos proporcionam a sensação de não restar mais elementos que nos atam, nos compelindo a mudanças de vida.
O perfil de pessoas extremamente corajosas e ousadas não é muito comum. Tanto que quando surge alguém com tais características, ele é logo percebido no meio em que se encontra, sejam pelas atitudes ou pelas realizações, que logo saltam aos olhos alheios. Seria este o caso do indivíduo capaz de criar suas próprias oportunidades. Para pessoas de perfil oposto existem, basicamente, as perdas. Porém, o perfil corajoso, de maneira alguma, está desvinculado das perdas. Porque as perdas podem acometer qualquer pessoa a qualquer momento. De fato, dependendo da intensidade dos abalos que podem surgir, é fundamental a disposição de muita valentia, para enfrentar e reverter os danos em elementos valoráveis, que nos auxiliarão tanto no restabelecimento quanto em conquistas subseqüentes.
A bravura, a ousadia, a coragem e a força que todos nós carregamos, em proporções variáveis, são o que nos suporta diante das perdas e nos faz seguir cumprindo nosso papel. São o que nos ergue, quando as pernas balançam. E o que nos impulsiona, quando temos a impressão de que vamos parar. Quanto maior o obstáculo, maior a dificuldade para transpô-lo e mais capazes nos transformamos, para seguir adiante, transformando nossa realidade naquilo que mais desejamos.
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Há 13 anos